No âmbito do ciclo “À Conversa no Museu”, o Museu de Lagos promove uma palestra dedicada ao painel quinhentista de São Vicente Mártir, uma das peças mais emblemáticas da sua exposição. Esta sessão pretende explorar a relevância histórica, artística e simbólica desta obra, inserindo-a no contexto cultural do século XVI.
A conversa contará com a participação do Professor Doutor Vítor Serrão, especialista convidado, autor de estudos fundamentais sobre a arte do século XVI e do recente artigo “Uma Pintura Quinhentista de São Vicente Mártir, no Museu de Lagos”, publicado no livro “São Vicente – do Mito à História”. Será uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre o painel, compreender a sua iconografia e refletir sobre o papel das artes na história e na construção da memória e identidade locais.
Sobre o especialista convidado:
Vítor Manuel Guimarães Veríssimo Serrão é Professor Catedrático Emérito da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigador do centro ARTIS-IHA-FLUL. Foi técnico dos serviços culturais da Câmara Municipal de Sintra (1979-1989), professor das Universidades de Coimbra (entre 1990-1994) e de Lisboa (de 1995 até à jubilação).
É autor de vasta bibliografia sobre História de Arte Portuguesa, nomeadamente do período moderno (com incidência nos estudos da pintura portuguesa dos séculos XVI, XVII e XVIII), Teoria da Arte e da Imagem e Estudos de Património. Tem-se dedicado, como historiador de arte, a estudos de temas da Idade Moderna, redignificando o património artístico português e o campo teórico e metodológico da disciplina na análise da produção a partir de visões globalizantes, atento às mecânicas do mecenato, ao estatuto social dos artistas e aos programas iconológicos dos conjuntos e obras. Tem manifestado particular interesse por «períodos escuros» da arte portuguesa, como sejam o Maneirismo e o Proto-Barroco, a que dedicou longas pesquisas.
Foi comissário de exposições e autor dos respetivos catálogos, como Josefa de Óbidos e o tempo Barroco (catálogo de 1992: ‘Prémio Nacional Gulbenkian’ de História da Arte) e A Pintura Maneirista em Portugal – Arte no Tempo de Camões (1995). De entre a numerosa bibliografia publicada destacam-se obras como O Maneirismo e o Estatuto Social dos Pintores Portugueses (IN-CM, 1983), A Cripto-História da Arte: Análise de Obras de Arte Inexistentes (Horizonte, 2000), O Renascimento e o Maneirismo (Presença, 2002), O Barroco (Presença, 2003), A Trans-Memória das Imagens: Estudos iconológicos de pintura portuguesa (séculos XVI-XVIII) (Cosmos, 2007), O Fresco Maneirista do Paço de Vila Viçosa, Parnaso dos Duques de Bragança (FCB, 2008) e Arte, Religião e Imagens em Évora no tempo do Arcebispo D. Teotónio de Bragança, 1578-1602 (Fundação Casa de Bragança, 2015), Os Retratos dos Meses da Sé de Miranda do Douro (DRCN, 2019) e Camões: Altos Cumes, Scabelicastro e Correlatos (Cosmos, 2024, com Mário Rui Silvestre).
Pertence à Comissão Editorial das revistas Monumentos (Património Cultural I.P.), ARTIS (FL-UL), ARTisON, Quintana e BSAA (Universidade de Valladolid) e é membro efetivo das Academias das Ciências de Lisboa, Portuguesa da História, de Marinha e de Belas-Artes. Recebeu a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura (2023).
Destaca-se ainda o trabalho: Artistas de Lagos: séculos XVI e XVII. Paris: Fundação Calouste Gulbenkian, 1970. – Separata de Arquivos do Centro Cultural Português, vol. II, pp. 577-604.