Autores: Alunos da Escola Básica de Odiáxere, utentes do Centro Comunitário Duna e Alijia Biala
Curadoria de Paulina Almeida
Entre o Dia Mundial dos Rios, celebrado a 21 de setembro, e o Dia Nacional da Água, a 1 de outubro, o Museu de Lagos faz brotar em Odiáxere «ÁGUAS DO TEMPO», uma exposição que liga memória, território e pessoas através de um elo comum desta paisagem: a água.
A exposição Águas do Tempo apresenta o resultado de um processo de investigação artística desenvolvido em Odiáxere em torno da memória da água e da sua influência na construção da paisagem, das práticas agrícolas e da identidade da comunidade.
Ao longo de várias semanas foram recolhidos testemunhos, cartografias, fotografias, arquivos e narrativas locais que permitiram compreender a forma como a água moldou o território ao longo do tempo. Este percurso de investigação foi acompanhado por oficinas de criação realizadas com diferentes grupos da comunidade de Odiáxere– Escola Básica de Odiáxere, com os utentes dos equipamentos da Santa Casa da Misericórdia de Lagos: Centro Infantil de Odiáxere e Lar Joaquim Eugénio Calado o Centro Comunitário Duna – CASLAS, convidando diferentes gerações a refletirem sobre as suas memórias, experiências e imaginários ligados à água.
Os objetos apresentados nesta exposição nasceram desses encontros. Pequenas esculturas, desenhos, composições e elementos simbólicos transformam materiais simples em narrativas coletivas, tornando visível uma memória que permanece viva através das pessoas que habitam este lugar. Cada peça constitui um fragmento de uma cartografia afetiva do território, onde o património natural e humano se entrelaçam.
A exposição integra ainda documentação do processo de investigação e da criação artística que deu origem à performance audiovisual Águas do Tempo, estabelecendo um diálogo entre conhecimento científico, prática artística e participação comunitária. Os dados históricos sobre a evolução da água, as memórias orais e os gestos criativos convergem para revelar um território entendido como um organismo vivo, em constante transformação.
Mais do que apresentar resultados, Águas do Tempo convida o visitante a percorrer um processo de descoberta, escutando as histórias inscritas na paisagem e reconhecendo a água como elemento essencial da memória coletiva. Num tempo marcado pelas alterações climáticas, a exposição propõe um olhar renovado sobre o património hídrico de Odiáxere e sobre a importância da criação artística enquanto ferramenta de preservação, transmissão e imaginação de futuros possíveis.